quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O verbo é: “beagar”



Se você perguntar sobre o verbo “beagar” a um estudioso da língua portuguesa, talvez receba a seguinte resposta: “este verbo não existe”. De fato, não encontramos “beagar” nos dicionários. Isso porque não é um verbo que se escreve ou se diz, mas, sim, que se vive.

“Beagar” é um verbo intransitivo: eu beago! Não requer um complemento, mas beagar o dia com alguém sempre soa melhor. Pertence à primeira conjugação, pois termina em “ar”. Ar das montanhas. É regular quando se quer terminar o dia em uma mesa de bar, mas irregular quando se gasta mais tempo no trânsito do que com a família. “Beagar” pode indicar uma ação, um estado ou um fenômeno da natureza. O tempo é sempre melhor quando se beaga durante todo o dia.

O uso e a forma do verbo “beagar” foram definidos ao longo dos últimos 115 anos. Hoje, cerca de 2,5 milhões de pessoas beagam diretamente todos os dias, e quase 2,5 milhões de outras pessoas beagam nos arredores da cidade. Estas pessoas beagam no trabalho, nas escolas, nas praças, nas avenidas, nos parques, nas igrejas e, é claro, nos botecos. Beagam quando passam pela feirinha da Afonso Pena nas manhãs de domingo ou quando se sentam nos bancos da Praça da Liberdade. Beagam no Mineirão e no Independência. Beagam nos engarrafamentos enquanto observam os operários que se esforçam dia-a-dia para entregarem as obras que parecem não ter mais fim. Beagam nos corredores do Mercado Central à procura das cores e dos sabores de Minas. Enfim, beagam.

Por outro lado, infelizmente, como muitas outras palavras da nossa língua, “beagar” também tem seu antônimo: “desbeagar”. Desbeagam aqueles que depredam o patrimônio público. Também, aqueles que jogam lixo nas ruas. Desbeagam as autoridades quando interferem na liberdade de se beagar onde se quer. “Desbeagar” deveria ser um verbo defectivo e não apresentar qualquer forma para modo, tempo ou pessoa. Afinal, desbeagar é feio, e isso deveria ser ensinado a qualquer criança desde cedo. 

Como você vê, beagar pode ser uma arte, uma filosofia de vida, um compromisso ou uma condição. Tudo vai depender do contexto. De qualquer forma, saber beagar requer disposição e dedicação de corpo, alma, mente e coração. Porém, aprender a beagar radicalmente não é difícil. Qualquer um pode fazê-lo, desde que realmente o queira. E, se a questão é beagar ou não beagar, eu aconselho a beagar, mesmo que isso, às vezes, possa não sair como o planejado.

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