Se você perguntar sobre o verbo “beagar” a um estudioso da
língua portuguesa, talvez receba a seguinte resposta: “este verbo não existe”.
De fato, não encontramos “beagar” nos dicionários. Isso porque não é um verbo
que se escreve ou se diz, mas, sim, que se vive.
“Beagar” é um verbo intransitivo: eu beago! Não requer um
complemento, mas beagar o dia com alguém sempre soa melhor. Pertence à primeira
conjugação, pois termina em “ar”. Ar das montanhas. É regular quando se quer
terminar o dia em uma mesa de bar, mas irregular quando se gasta mais tempo no
trânsito do que com a família. “Beagar” pode indicar uma ação, um estado ou um
fenômeno da natureza. O tempo é sempre melhor quando se beaga durante todo o
dia.
O uso e a forma do verbo “beagar” foram definidos ao longo
dos últimos 115 anos. Hoje, cerca de 2,5 milhões de pessoas beagam diretamente
todos os dias, e quase 2,5 milhões de outras pessoas beagam nos arredores da
cidade. Estas pessoas beagam no trabalho, nas escolas, nas praças, nas
avenidas, nos parques, nas igrejas e, é claro, nos botecos. Beagam quando
passam pela feirinha da Afonso Pena nas manhãs de domingo ou quando se sentam
nos bancos da Praça da Liberdade. Beagam no Mineirão e no Independência. Beagam
nos engarrafamentos enquanto observam os operários que se esforçam dia-a-dia
para entregarem as obras que parecem não ter mais fim. Beagam nos corredores do
Mercado Central à procura das cores e dos sabores de Minas. Enfim, beagam.
Por outro lado, infelizmente, como muitas outras palavras da
nossa língua, “beagar” também tem seu antônimo: “desbeagar”. Desbeagam aqueles
que depredam o patrimônio público. Também, aqueles que jogam lixo nas ruas.
Desbeagam as autoridades quando interferem na liberdade de se beagar onde se quer.
“Desbeagar” deveria ser um verbo defectivo e não apresentar qualquer forma para
modo, tempo ou pessoa. Afinal, desbeagar é feio, e isso deveria ser ensinado a
qualquer criança desde cedo.
Como você vê, beagar pode ser uma arte, uma
filosofia de vida, um compromisso ou uma condição. Tudo vai depender do
contexto. De qualquer forma, saber beagar requer disposição e dedicação de
corpo, alma, mente e coração. Porém, aprender a beagar radicalmente não é
difícil. Qualquer um pode fazê-lo, desde que realmente o queira. E, se a
questão é beagar ou não beagar, eu aconselho a beagar, mesmo que isso, às
vezes, possa não sair como o planejado.
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